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TEXTOS SOBRE LEITURA, EDUCAÇÃO E CIDADANIA
Leia e exista!

“A pessoa humana deve ser tratada
sempre como fim e nunca como meio.”
Immanuel Kant

Com a eventual possibilidade de ser considerado repetitivo, mas com forte aval do respeitado jornalista Joelmir Betting, a quem se atribui a frase “o que é óbvio deve ser repetido”, e que adoto com a maior tranqüilidade, volto à velha discussão do tema que prega absoluta necessidade de leitura do jovem, versus horas desperdiçadas em frente da TV e com prática de certos jogos eletrônicos.
Desta vez a inspiração vem dos tristes resultados do recente Exame Nacional do Ensino Médio, exaustivamente divulgado pela imprensa, onde se destilaram respostas que se constituem em verdadeiras barbaridades como: “Raios ultra-violentas”, “A concentização é um fato esperançoso para o territorio mundial”, “A natureza foi discuberta pelos homens a 500 anos atrás” e outras tristes evidências de que, efetivamente, não estamos preparando bem quem vai comandar este país no futuro.
Em face das terríveis respostas, algumas hilariantes, o clichê é inevitável: seria cômico se não fosse trágico.
Além das óbvias ilações que se tiram dos textos, como absoluta falta de conhecimento geral das matérias e dos erros comuns de construção e grafia, há que se lamentar, principalmente, as conclusões a que os professores encarregados das correções chegaram, segundo as quais falta aos alunos raciocínio e concatenação. Assim, se mostram não só pouco habilitados para escrever um texto, como também, o que é pior, para pensar.
Ora, na vida e na ciência não existe efeito sem causa. Assim sendo, quais seriam as razões que impedem nossos estudantes de se expressar bem e de mostrar conhecimento das matérias que estudam em, pelo menos, razoável português!
Seria o nosso sol tropical que cozinha seus jovens cérebros? Talvez a miscigenação de raças que tanto nos caracteriza? Ou a culpa deve recair sobre os livros e as escolas?
Nada disso, e nem o destino, pois muito já se disse do talento, da criatividade e da versatilidade do nosso povo. A miscigenação é sadia e o sol e bem-vindo. Temos bons livros e boas escolas.
Dizem que os neurônios são os músculos do cérebro; se não são exercitados e desenvolvidos, como todo os músculos, se atrofiam.
A verdade é que qualquer pessoa razoavelmente bem informada e com real vontade de ver as coisas deve observar que os mais sensíveis jornalistas, redatores, educadores, psicólogos, têm recheado páginas de jornais e de revistas, nacionais e internacionais, apontando o baixo nível dos programas de TV, alguns jogos de vídeo-games e de enlatados do cinema industrial como a causa da alienação da população, principalmente dos menos preparados.
A população em geral, e principalmente, o jovem está sendo vítima de uma overdose de TV com programas dirigidos por pessoas simpáticas, de rostos bonitos e sorrisos envolventes, que adentram os lares sem proposta alguma a não ser a de vampirizar os neurônios das pessoas, expondo, entre outras coisas a intimidade de desocupados, os desentendimentos de casais desajustados, que se expõem ao ridículo por míseros cachês e pegadinhas pré-fabricadas, não raro estreladas por “artistas” seminuas.

Não há como negar que esse passatempo atrai, principalmente, o desavisado, vítima da lei do menor esforço, porque provoca as sensações mais fáceis de estimular, como a do riso, do sexo, do ridículo, do medo, do escárnio, etc. Dessa forma se diverte sem pensar, espreguiçando-se. Indefeso, o telespectador de vítima torna-se cúmplice do processo, já que passa a alimentá-lo, com o IBOPE à espreita, pois o que se objetiva é o consumidor e não o cidadão.
Além do mais, é evidente que está se formando uma sociedade de fofoqueiros teveguiados que segue hipnotizada pelo vídeo e agora (são os dividendos) por inúmeras revistas especializadas em expor a vida de falsos ícones, que fazem rir quando riem, chorar quando choram e parir quando parem.
É a valorização da pieguice em detrimento da sensibilidade. Está havendo supervalorização do físico em detrimento do intelecto e do espírito. Ninguém quer “malhar” os neurônios!
A televisão, que afinal é uma concessão do Governo, se não tem o objetivo e a função de educar, igualmente não tem o direito de invadir os lares com overdose de vulgaridades, que se repete em todos os canais. Seria de toda a forma um poderoso canal para a conscientização do jovem de que vivemos numa economia globalizada com a competição cada vez mais acirrada no mundo todo, e quem não se preparar vai ficar à margem do processo.
Dessa forma, como se esperar do jovem conhecimento, lucidez, desembaraço, articulação, se ele não está sendo preparado para isso? Por outro lado, se não existe uma escola que ensina a pensar e a escrever, existe uma prática que treina qualquer pessoa para isso: a leitura.
A leitura além de um instrumento de aproximação do saber, proporciona a descoberta de multifacetadas visões do mundo e desenvolve o potencial imaginário do leitor, aguçando seu senso crítico, localizando-o no tempo e no espaço, quando, via conscientização, adquire o direito de se indignar e assim colaborar com a evolução da sociedade.
É necessário conscientizar o jovem de que a vida é feita de tempo e que este deve ser usado para ser vivido intensamente, também pelo estudo, pela leitura, pelos jogos de inteligência como o xadrez, por exemplo.
Quem desperdiça seu precioso tempo vivendo a vida dos outros, que espertamente estão arrumando suas “carreiras”, está matando sua própria vida e perdendo a oportunidade de crescer.

Vale, para encerrar lembrar o pensamento da escritora Ethel Richardson: O mais delicado e sensível dos instrumentos é a mente da criança.

 
 
 
 
 
 
 

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